| Oela ensina jovens de Manaus a transformar madeira amazônica certificada em instrumentos musicais |
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Antes de começar a transformar o discurso em ações, Gomes deu o passo decisivo para as atividades que exerce hoje. A paixão por sons o levou a cursar uma faculdade de música e a se tornar um luthier - especialista na construção e no conserto de instrumentos musicais de corda. Ainda no Acre, montou a sua própria escola de música, mas manteve as portas abertas por pouco tempo. Encontrou alunos mais dedicados em uma casa que abrigava menores infratores, e ali instalou um ateliê. Em 1998, vivendo em Manaus, fundou a Oficina de Escola de Luthieria da Amazônia (Oela), no bairro Zumbi, periferia da cidade. Na época, pediu demissão da Universidade Federal do Amazonas, onde lecionava música, e abriu sua casa para ensinar adolescentes carentes a fazer instrumentos musicais. "Além de contribuir para a inclusão social desses jovens, a Oela é a única luthieria do mundo que trabalha com madeira tropical certificada", afirma Gomes. Em geral, os instrumentos musicais de corda são produzidos com madeiras ameaçadas de extinção, como o mogno, o jacarandá e o pinho europeu. Para continuar a produzir instrumentos sem violar o meio ambiente, Gomes convocou um time de especialistas para realizar uma pesquisa. O objetivo era identificar espécies da Amazônia com as mesmas propriedades acústicas e qualidade sonora que as das madeiras ameaçadas. Ele queria ainda que essas espécies fossem adequadas para o manejo sustentável, de modo que a floresta se regenere naturalmente.
E a sustentabilidade não fica restrita à s madeiras utilizadas, mas se estende a toda a cadeia produtiva, que começa nas comunidades ribeirinhas. Para fazer suas ideias chegarem a elas, a Oela criou um barco-escola. Especialistas e voluntários viajam até 18 horas pelos rios da região capacitando famÃlias para o manejo florestal sustentável e a prática da marchetaria - ornamentação de móveis, pisos, tetos etc. Com isso, além de trabalhar na extração da madeira a ser utilizada nas oficinas da Oela, eles produzem objetos artesanais. A meta é abrir os horizontes profissionais dos ribeirinhos e gerar renda para a comunidade.
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QUANTO VALE O curso inclui teoria musical, educação ambiental e informática e é dividido em cinco módulos de três meses. Atrai estudantes como Renato Souza Elias, 18 anos, que concluiu o ensino médio e também quer se tornar luthier. Outros se formam e acabam montando seus próprios ateliês. Por fim, há os que viraram uma espécie de embaixadores da Oela e replicam a técnica pelo PaÃs. Entre população ribeirinha e alunos, a ONG atende hoje 11 mil pessoas por mês, de 8 a 60 anos. Reportagem: Revista Galileu. Agosto-2009.
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O Projeto













