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Oela ensina jovens de Manaus a transformar madeira amazônica certificada em instrumentos musicais PDF Imprimir E-mail

Uma coisa é ler que "tantos campos de futebol" de vegetação desaparecem diariamente na Amazônia. Outra é ver pedaços da mata desaparecerem diante do nariz. É o que vem acontecendo ao longo dos 50 anos de Rubens Gomes. Nascido em Porto Grande, no Amapá, ele acompanhou o estrago que a extração de manganês fez na paisagem que servia de fundo para as suas brincadeiras infantis. Quando chegou à adolescência, encontrou nos movimentos ambientais uma maneira útil para descarregar a rebeldia natural da idade. Desde então, vem trabalhando no desenvolvimento de fórmulas para que as comunidades que moram em meio à floresta vivam, cresçam e deixem a mata pronta para ser desfrutada por seus tataranetos.

Antes de começar a transformar o discurso em ações, Gomes deu o passo decisivo para as atividades que exerce hoje. A paixão por sons o levou a cursar uma faculdade de música e a se tornar um luthier - especialista na construção e no conserto de instrumentos musicais de corda. Ainda no Acre, montou a sua própria escola de música, mas manteve as portas abertas por pouco tempo. Encontrou alunos mais dedicados em uma casa que abrigava menores infratores, e ali instalou um ateliê.

Em 1998, vivendo em Manaus, fundou a Oficina de Escola de Luthieria da Amazônia (Oela), no bairro Zumbi, periferia da cidade. Na época, pediu demissão da Universidade Federal do Amazonas, onde lecionava música, e abriu sua casa para ensinar adolescentes carentes a fazer instrumentos musicais. "Além de contribuir para a inclusão social desses jovens, a Oela é a única luthieria do mundo que trabalha com madeira tropical certificada", afirma Gomes.

Em geral, os instrumentos musicais de corda são produzidos com madeiras ameaçadas de extinção, como o mogno, o jacarandá e o pinho europeu. Para continuar a produzir instrumentos sem violar o meio ambiente, Gomes convocou um time de especialistas para realizar uma pesquisa. O objetivo era identificar espécies da Amazônia com as mesmas propriedades acústicas e qualidade sonora que as das madeiras ameaçadas. Ele queria ainda que essas espécies fossem adequadas para o manejo sustentável, de modo que a floresta se regenere naturalmente.

 

E a sustentabilidade não fica restrita às madeiras utilizadas, mas se estende a toda a cadeia produtiva, que começa nas comunidades ribeirinhas. Para fazer suas ideias chegarem a elas, a Oela criou um barco-escola. Especialistas e voluntários viajam até 18 horas pelos rios da região capacitando famílias para o manejo florestal sustentável e a prática da marchetaria - ornamentação de móveis, pisos, tetos etc. Com isso, além de trabalhar na extração da madeira a ser utilizada nas oficinas da Oela, eles produzem objetos artesanais. A meta é abrir os horizontes profissionais dos ribeirinhos e gerar renda para a comunidade.

 

 

QUANTO VALE
Com as madeiras certificadas em mãos, alunos entre 15 e 21 anos produzem 11 tipos de instrumento, de violão (incluindo modelos elétricos) a banjo. Por mês, fabricam de 30 a 40 peças. Os preços ficam entre R$ 1.000 e R$ 2.000. A renda é dividida entre os alunos e a instituição, que busca a autossuficiência.

O curso inclui teoria musical, educação ambiental e informática e é dividido em cinco módulos de três meses. Atrai estudantes como Renato Souza Elias, 18 anos, que concluiu o ensino médio e também quer se tornar luthier. Outros se formam e acabam montando seus próprios ateliês. Por fim, há os que viraram uma espécie de embaixadores da Oela e replicam a técnica pelo País. Entre população ribeirinha e alunos, a ONG atende hoje 11 mil pessoas por mês, de 8 a 60 anos.

Reportagem: Revista Galileu. Agosto-2009.
 



















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